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Turnover involuntário: um grande inimigo das empresas

Entre os vários desafios que enfrentam as empresas, um dos grandes problemas é a alta taxa de turnover involuntário, que é indício de outros problemas não solucionados. Confira agora tudo sobre esse tema e como evitá-lo

Frequentemente, por um motivo ou outro, empregados são desligados das empresas em que trabalham. É um movimento natural de busca por melhores trabalhadores, maiores rendimentos e lucros para a organização. 

Há momentos, no entanto, em que uma empresa se vê pressionada pela falta de pessoal ou pelos elevados custos de sua gestão, seja por pedidos de demissão ou ainda pelos desligamentos forçados. 

Você sabe o que é turnover involuntário e como isso está relacionado com os problemas citados, além de muitos outros, que podem ser um verdadeiro perigo para uma companhia? Neste artigo, é sobre isso que iremos tratar. Acompanhe até o final e saiba como evitá-lo. Boa leitura!

O que é turnover?

Conceito que é bem conhecido no setor de Recursos Humanos (RH) das empresas, turnover significa “virada”, “renovação”, e representa a taxa de rotatividade de pessoas dentro de uma empresa.

Ou seja, é a porcentagem de funcionários que entraram e saíram em um determinado período de tempo. 

O que é turnover involuntário?

Quando os trabalhadores não se demitem por conta própria, mas são desligados, involuntariamente, pela empresa, eles passam a fazer parte da estatística do turnover involuntário, algo que é comum e normal de se acontecer.

O problema real surge quando a taxa de turnover involuntário é muito alta para os padrões gerais das empresas; uma comparação estatística que pode ser feita com outras organizações do mesmo ramo, funcionando na mesma região ou proximidades. 

Se uma empresa demite muitos funcionários sem ter um planejamento adequado, isto é indicativo de que pode haver problemas relacionados à gestão, à situação financeira da empresa ou aos seus processos de seleção e contratação. 

Quais as causas do turnover involuntário?

Veremos aqui quais são os principais fatores que podem causar um excesso de demissões involuntárias, confira abaixo!

Crise financeira

Em tempos de crise financeira, quando as empresas sentem a necessidade de reduzir custos, uma das formas de economizar é através da redução de pessoal dentro da organização, ou seja, realizando muitas demissões. 

Quebra das regras contratuais

Se houver quebra das regras que foram estabelecidas para o funcionário, ele poderá, por justa causa, ser demitido. 

O que a gestão precisa atentar, neste ponto, é se muitos dos seus colaboradores, com certa frequência, saem das normas, pois isso pode significar que as próprias regras são de algum modo abusivas ou que há uma falta de esclarecimento em relação a elas. 

Divergências insolúveis com as lideranças

Um time precisa ser coeso. Se um dos membros vai constantemente contra as direções dadas pelo líder e os dois não encontram acordo que satisfaça a ambos, a única solução restante, para evitar piores desentendimentos, pode ser a demissão do colaborador.

Novamente, aqui, as lideranças devem prestar atenção em suas próprias designações, caso muitos liderados estejam insatisfeitos. 

Não adequação aos valores e políticas da empresa

Os trabalhadores que, por um motivo ou outro, não se adequarem às políticas e valores vigentes no local onde trabalham poderão ser demitidos. Caso se mantenham, e divergentes, suas ações destoarão das ações dos demais, e isto, inevitavelmente, causará conflitos, seja com os clientes da empresa ou com seus próprios colaboradores. 

Problemas no processo de seleção e contratação

Por que uma pessoa entraria livremente em uma empresa que não concorda com seus valores pessoais, como dito no item anterior? Bem, porque talvez o funcionamento das coisas não tenha ficado claro durante a seleção e contratação desse funcionário. 

Neste caso, o problema não é da pessoa que foi contratada, mas sim dos próprios processos geridos pela empresa. 

É preciso ter transparência em cada seguimento de uma contratação, e é importante que as políticas e valores alegados sejam, de fato, os que são vigentes, pois o contrário poderá causar decepção e frustração nos colaboradores, favorecendo que saiam das exigências e se tornem aptos à demissão. 

Também neste ponto, é possível que a empresa esteja utilizando de critérios errados para contratar o seu trabalhador ideal. É preciso ter claro o que se procura e saber que, possivelmente, isto não é feito da maneira adequada. 

Mau comportamento

Às vezes, uma pessoa é muito boa no que faz, mas terrível no comportamento em relação aos outros. Nesses casos, a empresa deve decidir por deixá-la no cargo e prejudicar a equipe, ou demiti-la e beneficiar os outros. 

Quando as advertências não bastam, o caminho certo é mesmo pela demissão, porque a rebeldia contra as normas de comportamento, quando não é punida, também faz com que outros ajam fora do padrão esperado. Além disso, o ambiente de trabalho fica desagradável para todos, que começam a questionar e pedir atitudes firmes da sua gestão.

Desempenho abaixo do esperado

Também há aqueles casos onde o funcionário simplesmente não alcança o desempenho esperado e, mesmo após advertências e outras conversas para esclarecimento dos seus motivos, o trabalho continua a não render. 

Se o rendimento for baixo para boa parte dos empregados e não apenas um, a gestão precisa verificar o seu funcionamento geral, buscando identificar o problema que, provavelmente, não está nos seus funcionários. 

Consequências do turnover involuntário

Apesar de ser uma decisão tomada pela própria empresa, é preciso ter claro que, para ela, a alta taxa de turnover involuntário não é vantajosa. Pelo contrário, pode trazer sérias consequências; e as principais, veremos adiante. 

Perda de dinheiro

A rescisão de contrato com muitos funcionários pode gerar uma grande perda de dinheiro, principalmente se as demissões não forem por justa causa. 

Isso se deve ao custo com os encargos trabalhistas que precisam ser pagos após demissões — os direitos do trabalhador, garantidos pela CLT. 

Além disso, o dinheiro investido nos processos de seleção e contratação dos funcionários demitidos também é, de certa forma, descartado. 

Insegurança no local de trabalho

Quando os colaboradores percebem que seus colegas estão sendo demitidos, se instaura entre eles a insegurança quanto à sua própria estabilidade dentro da empresa. 

Isso pode fazer com que comecem a procurar outro emprego, na esperança de garantir uma renda, também fazendo com que a presença de pessoas diminua dentro da empresa.

Acúmulo de tarefas

Quando alguns funcionários são demitidos, suas tarefas passam a ser delegadas para outros empregados, já que as vagas não conseguem ser ocupadas tão rapidamente.  

O resultado, no fim das contas, é um acúmulo de tarefas para os colaboradores restantes, podendo fazer com que se sintam esgotados e, até mesmo, fiquem doentes após períodos muito cheios e extensos. Se isso acontecer, também diminui a eficiência dentro da empresa.

Perda de credibilidade

Seja com os clientes ou entre os próprios funcionários, a alta rotatividade dos empregados poderá gerar uma perda de credibilidade para a empresa. 

Os clientes, nesses casos, notarão que raramente são atendidos pelas mesmas pessoas, prejudicando a sua conexão com a organização e, consequentemente, a fidelidade geral da clientela. 

Outras empresas também se sentirão inseguras para firmar parcerias, já que, com uma alta taxa de rotatividade, firmeza é justamente o que falta à empresa prejudicada. 

Como calcular a taxa de turnover involuntário?

A taxa de turnover involuntário pode ser a de um setor específico ou da empresa em geral. Para calculá-la, determine o período que se quer verificar e siga as seguintes etapas:

  • Some o número de pessoas admitidas com o número de demitidas no período escolhido;
  • Divida o resultado da soma anterior por dois;
  • Pegue o resultado da divisão anterior e divida pelo número total de funcionários atuais;
  • O resultado final, multiplique por cem, e aí terá a porcentagem de turnover involuntário.

É fundamental que o setor de Recursos Humanos tenha sempre em mãos este número, pois ajuda a verificar a existência ou não de outros problemas na gestão da empresa.