Aproximando cidadãos
13 de agosto de 2010
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Como a internet e as novas tecnologias estão configurando a articulação de iniciativas democráticas? Uma pista foi dada aqui, num recente post que indagava: Podemos, todos nós, governar? Se dirigirmos a pergunta aos idealizadores do Senator Online (SOL), a resposta certamente será “sim”.
O SOL é um partido político virtual criado para representar o desejo da maioria dos cidadãos australianos. Funciona assim: no site do partido, as leis que irão à votação no Congresso são exibidas. As pessoas votam na alternativa que acreditam ser a melhor escolha. De posse do resultado, o representante do partido vota no congresso de acordo com a decisão da maioria.
Os proponentes do partido defendem um sistema de representação que devolva voz aos cidadãos e diminua influências de corporações e lobistas nas decisões políticas do país. A proposta baseia-se em utilizar a internet como meio de aproximação entre cidadãos e política, reunindo informações sobre leis, políticos e atividades do congresso, que poderão estimular discussões e trocas entre os cidadãos. O partido explica que não apresenta nenhuma agenda política ou plataforma e que a intenção é mesmo disponibilizar informação imparcial sobre os projetos apresentados no Congresso, inclusive explicar as proposições de cada um com listagem de argumentos contra e a favor.

Senator Online é o primeiro (e único) partido virtual na Austrália
O site se encontra ainda em fase de pré-eleições, o que significa que o candidato do partido (já anunciado) ainda precisa entrar em campanha e ser oficialmente eleito para que o ideal do projeto seja posto em prática. Todas as propostas são abertas ao debate, do layout do site à dinâmica de como acontecerão os votos, a idéia é construir tudo colaborativamente.
A proposta do SOL levanta algumas questões sobre como as articulações democráticas se configurarão num futuro bem próximo. O trabalho dos políticos poderá se resumir apenas a uma função operacional de acordo com a vontade da maioria? O que impedirá que escolhas motivadas por resoluções de curto prazo, como por exemplo a rejeição de impostos necessários, sejam acatadas? Como grupos de minorias poderão ter sua opinião validada? Quais as novas habilidades os políticos deverão somar à sua atuação no mundo virtual?
Acompanharemos as transformações.
Por Rodrigo Moreira
2 comentários para “Votos reais, partido virtual”
No Rio de Janeiro, nas eleições de 2004, houve um “candidato virtual” a vereador, pelo PV. Ele se propunha justamente a isso: receber as propostas e projetos unicamente pela Web, depois colocá-las em debate no plenário e nas comissões da Câmara municipal da cidade.
O problema na ocasião, como pode ser o do Senador virtual australiano, é a política real, a do beija-mão-segura-criancinha-dá-abraço-entrega-santinho-faz-comício-discursa-com-carro-de-som-etc. Essa política pega o cidadão médio pela ilusão da proximidade: o eleitor se sente momentaneamente valorizado, mas só tem contato com seu candidato no período de campanha eleitoral, mas isso lhe basta para acreditar que foi “ouvido e entendido”.
O vereador virtual não se elegeu, por isso não pôde colocar em prática o seu plano. Melhor sorte ao Senador Virtual!
Karine, acredito que com a internet podemos disseminar uma nova visão de participação efetiva, o que pode, em breve, mudar essa ideia de “distanciamento”. Fico animado com a possibilidade de contribuir efetivamente nas decisões e articulações políticas