Aproximando cidadãos
9 de dezembro de 2009
Tags desta notícia:
Votenaweb
Faz quase um mês que lançamos em versão beta o Votenaweb, um site onde qualquer pessoa pode votar pela aprovação ou rejeição de projetos de lei tramitando no Congresso Nacional.
Como qualquer site colaborativo, ele vai ficar melhor com o tempo, quanto mais gente for lá, se cadastrar e votar. Então fico muito grato se você ajudar a espalhar a notícia.
Estamos bem felizes com esse comecinho. Já deu para ver que as pessoas estão interessadas em participar. 7.000 votos já foram dados por mais de 10.000 pessoas. Já recebemos umas três centenas de comentários, além de 100 emails com sugestões para melhorar o site – e estamos empenhados nisso. No geral, o site transpira um clima de desejo pelo resgate da cidadania. Olha só alguns exemplos legais de comentários que chegaram:
Em relação a um projeto que propunha que seja obrigatória a bandeira nacional em uniformes de estudantes das escolas públicas:
“me façam voltar a ter orgulho da administração pública do meu país, e tatuo até o teu rosto no meu peito, por enquanto deixe como está…”
Em relação a um projeto para tornar obrigatória a realização de audiências públicas periódicas pelo Ministério Público, para identificar os desejos da população, o comentário foi:
“Nesse mundo de internet eles ainda querem fazer audiência? Faz um portal como o votenaweb e estamos na direção certa!”
Os comentários sobre projetos esdrúxulos, como a instituição do dia nacional do vinho ou a proibição de imagens degradantes em reality shows são uma diversão à parte.
Já identificamos que o site pode ser muito útil para conhecer melhor os políticos, comparando suas próprias opiniões com a deles. Para fazer isso, você se cadastra e entra sempre para votar em cada projeto. Quando chegar a eleição, ano que vem, você vai poder ver dados estatísticos sobre suas próprias opiniões e comparar com as dos políticos, para tentar descobrir quem é mais parecido com você.
Mas estamos esperançosos de que o site sirva também para influenciar os políticos. Quem sabe eles não fiquem mais dispostos a levar a opinião pública em conta, caso se revele a desconexão entre o que eles fazem e o que o resto de nós acha?Estamos inclusive cogitando acrescentar uma ferramenta que permita fazer projetos de lei cooperativos e levá-los à votação no Congresso. Hoje isso parece um sonho desvairado, mas quem sabe vire um desejo realista se suficientes brasileiros mostrarem que se importam?
Claro que há frustrações também. Ter que organizar esses dados deixou claro para a gente o quanto as leis são feitas com o objetivo claro de não serem entendidas. Por que diabos os textos são tão enrolados, tão cheios de voltas, com aquilo que importa escondido lá no final depois de parágrafos e parágrafos sem conteúdo nenhum?
Bom, nosso sonho é que chegue o dia em que, antes de propor uma lei, o deputado pense assim:
“Deixa eu caprichar que todo mundo vai ler.”