Aproximando cidadãos
4 de fevereiro de 2011
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Egito
Internet
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Os egípcios estão recuperando, aos poucos, a conexão com a internet, bloqueada pelo governo com objetivo de atrapalhar a comunicação entre os manifestantes que protestam contra o presidente Hosni Mubarak, no poder há 30 anos. O apagão eletrônico durou cinco dias, quando mais de 90% das redes ficaram inacessíveis. Foi a primeira vez que um bloqueio repentino desta magnitude aconteceu na história da internet, também foi a primeira vez que um protesto gigantesco e violento contra um governo reuniu e organizou milhões de pessoas por meio das redes sociais.
O governo do Egito controla a maior prestadora de serviços de internet no país e conseguiu bloquear as outras três principais empresas. As autoridades egípcias não deram explicações sobre o assunto que gerou críticas de diversos países.
Os conflitos no Egito mostraram ao mundo a força das comunidades formadas na rede. As novas tecnologias da informação permitem que pessoas atuem colaborativamente, de forma simples e ágil. Os cidadãos conectados se organizam, deixam de ser simples receptores de mensagens e passam a ter voz ativa na organização social.
Por meio de ações na internet é possível gerar grandes transformações na sociedade, desde simples mudanças no bairro, comunidade ou cidade, até alterar a legislação federal e tirar um governante do poder. Com a internet podemos nos comunicar, instantaneamente, sem fronteiras pelo mundo e marchar juntos, em números gigantescos, na direção do futuro que queremos. A mobilização cívica por meio da internet é capaz de levantar bandeiras contra o analfabetismo, denunciar a escravidão, o fascismo, racismo, lutar contra a discriminação, dentre outras questões internacionais de grande escala como alterações climáticas, reformas políticas e econômicas. Não há limites para o envolvimento.
Então a internet é a solução para todos os males da sociedade? Não.
Apesar de ser extremamente interessante acompanhar as manifestações organizadas pela rede, é importante ter cautela quanto ao poder da internet. O bloqueio imposto pelo governo não conteve a onda de protestos, isso mostra que apesar de as mídias sociais terem sido fundamentais na organização dos protestos, os conflitos no Egito teriam acontecido mesmo se o Facebook ou Twitter não existissem. Afinal, as redes sociais são apenas ferramentas que ajudam a organizar comunidades, transmitir informações, fomentar os sentimentos de frustração e revolta, mas o que move mesmo as pessoas são os problemas que elas têm que enfrentar.
O que estamos assistindo é um dos benefícios da sociedade da informação que permite que a tecnologia trabalhe para as pessoas. No mundo globalizado estar conectado é indiscutivelmente importante, mas não é vital. O essencial mesmo são as pessoas que enfrentam os problemas no mundo offline.
O pesquisador em política e internet Evgency Mororov defende em seu livro, The Net Delusion que “É a política, a cultura e a economia, que moldam como usaremos uma tecnologia, e não o contrário. A internet não é algo autônomo, com vida própria e acima dos indivíduos. Ela, na verdade, está inserida dentro de um contexto que define os seus usos e os seus efeitos na sociedade”.
No final das contas, o apagão eletrônico pegou muito mal para as autoridades egípcias, que ao bloquearem a internet autoritariamente, não conseguiram conter a manifestações e mostraram ao mundo que ainda não sabem lidar com as novas tecnologias de informação e que têm muito a esconder.
Por Dani Larama