Aproximando cidadãos
20 de outubro de 2010
Nanhi Kali, organização em prol da educação de meninas na Índia, lançou uma série de filmes de animação baseada em doações.
No site do projeto, os visitantes conhecem a personagem Tarla, uma menina indiana que sonha em freqüentar a escola. Seu sucesso, no entanto, depende da colaboração dos usuários, que precisam contribuir com alguma quantia para ajudar Tarla a realizar seu sonho e acompanhar o desenrolar da história.
A Girl Story representa uma nova maneira de se aproximar dos investidores. Tarla representa a situação de milhares de meninas indianas que necessitam da ajuda de doadores para continuarem na escola e adquirirem educação.
Acompanhar a série esclarece sobre a vida real das crianças sem acesso à escola, suas dificuldades e necessidades.
O site tem sido aclamado por propor uma nova relação com investidores, que testemunham como suas doações são aplicadas e entendem melhor a força imprescindível de sua participação em projetos de mudança social.
Mais 2 milhões de pessoas já se beneficiaram da Lei do Direito de Informação na Índia.
A Índia é um país com graves problemas sociais, miséria, desigualdade e corrupção, mas é de lá que vem um exemplo sobre como motivar a transparência das ações governamentais. O governo indiano criou, em 2005, a Lei pelo Direito de Informação que permite que qualquer cidadão tenha acesso a informações e aos registros do governo. A lei ainda não conseguiu resolver os graves problemas de corrupção no país, mas já é possível ver resultados significativos. Nos três primeiros anos em que a lei esteve em vigor, dois milhões de requerimentos foram submetidos.
A lei oferece uma oportunidade de ação, principalmente aos mais pobres e moradores das áreas rurais que sempre tiveram poucos meios para demandar informações sobre o que o governo está fazendo por eles e agora têm a chance de resolver problemas básicos que representam uma grande melhoria na vida dessas pessoas. Após o requerimento, os órgãos governamentais precisam cumprir um prazo para entrega das informações ou pagam multas.

As próximas gerações de indianos têm a chance de viver em um país com a política mais transparente. Foto do livro "My Dear India", de Eduardo Recife e Fabiano Fonseca.
Nos últimos cinco anos a lei começou a desequilibrar a balança do poder, que há muito tempo pendia para o lado dos políticos. Segundo o ativista Shekhar Singh, entrevistado pelo New York Times, “A lei deu poder para as pessoas desafiarem seu governo. Isso não é pouca coisa”. O chefe da comissão de informação do governo, Wajahat Habibullah concorda: “A lei deu às pessoas a sensação de que o governo deve responder a elas”, disse ao jornal norte-americano.
O jornal The New York Times fez uma reportagem sobre a Lei pelo Direito de Informação da Índia e mostrou casos de pessoas que conseguiram se valer da lei como, por exemplo, Chanchala Devi que preencheu um requerimento num escritório do governo local para descobrir porque ela ainda não havia recebido um benefício para construção da casa própria. Dentro de poucos dias sua bolsa havia sido aprovada, e ela logo receberia seu cheque.
A lei é um grande passo rumo à transparência e uma arma poderosa contra a burocracia, no entanto ativistas locais lembram que o acesso à informação não acabou com a corrupção e criticam a ineficácia dos mecanismos de punição e responsabilidade. Leia a íntegra da reportagem e conheça histórias de outros indianos que, assim como Chanchala Devi usaram os benefícios da lei em busca de melhor qualidade de vida.
Fonte: The New York Times