Aproximando cidadãos
16 de setembro de 2009
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Gov 2.0 Summit
Semana passada assisti em Washington ao Gov 2.0 Summit, uma primeira tentativa de articular a discussão sobre como usar o imenso potencial da internet para fortalecer a cidadania e a democracia, com aplicativos produzidos pela sociedade civil para melhorar o mundo. Num intervalo, consegui me aproximar do organizador do evento, Tim O´Reilly, e perguntei a ele como essa idéia, que descentraliza a produção de ferramentas de web colocando a responsabilidade nas mãos do cidadãos, poderia ser aplicada em um País como o Brasil, no qual o número de web-empreendedores é pequeno.
“Well, vocês devem cultivar essa comunidade.” Enfim: o problema é nosso.
A resposta me incomodou. Achei que O´Reilly estava lavando as mãos. Fiquei pensando nisso deste então e cheguei a uma conclusão dura: o que me incomodou não foi o sorriso de O’Reilly. Foi o fato de que ele estava certo. O problema é nosso mesmo. Embora essa discussão sobre Gov 2.0 seja nova até mesmo nos Estados Unidos, fica claro que a situação do Brasil em relação a desenvolvimento para web ainda é demasiadamente precária.
Enquanto nós brasileiros ficamos analisando se Facebook é bom ou não, ou criticando o barulho criado pelo Twitter, são os americanos que estão construindo estas ferramentas que mudam a forma como nos relacionamos por aqui. Sempre tivemos papel importante de rapidamente adotar ferramentas como MSN, Orkut, Blogger. Estima-se que existam aproximadamente 63 milhões de brasileiros na internet, o que ultrapassa até mesmo números de países desenvolvidos como França, Itália e Reino Unido. No entanto, apesar de todas essas pessoas online, ainda não conseguimos produzir um único aplicativo sequer de relevância nacional, muito menos internacional. Não estaria na hora de mostrarmos nossa criatividade, deixarmos de ser apenas seguidores e participarmos desta conversa?
Se cabe a nós, cidadãos, produzir ferramentas para resolver problemas da sociedade, qual a parte que cabe ao governo? Após a conferência, percebo que a transformação do governo brasileiro em plataforma de inovação para web tem que se dar na tentativa de resolver uma tríade de necessidades básicas.
1) Precisamos reduzir o tempo e o custo da experimentação. Startups são experimentos. Como qualquer outro experimento, existe uma alta chance de dar errado. Bom, “se a falha é inevitável, que seja rápida e que seja barata” diz Eric Ries do blog LessonsLearned. A fórmula de sucesso é reduzir riscos e aumentar a agilidade para que possamos errar aprender mais. Oferecer hospedagem gratuita para aplicativos voltados ao bem público seria uma grande ajuda do governo nessa direção. O governo brasileiro tem a chance de fazer do Brasil o primeiro país a oferecer um serviço de cloud computing público, o que quebraria uma das maiores travas da programação para web no país: a falta de servidores de qualidade. Sem dúvida isso seria um marco na infraestrutura do país. O equivalente das estradas e pontes do século passado é essa a infraestutura do século XXI. Uma verdadeira web-obra.

Eric Ries do blog Lessons Learned: “Que a falha seja rápida e barata”.
2) Precisamos ter matéria prima para ser trabalhada. A matéria prima principal da próxima web são dados, já dizia Tim Bernes Lee. De preferência limpos e frescos – mas se só existem crus, já é um bom alimento. Disponibilizar dados públicos é fundamental para visualizar mais claramente quais são os problemas e consequentemente quais as novas soluções. O Brasil precisa de uma política pública de transparência através da disponibilização em tempo real de dados governamentais, como os Estados Unidos estão fazendo no site data.gov

Vivek Kundra, Federal U.S. CIO (Chief Information Officer): "O objetivo é democratizar os dados, torna-los disponíveis publicamente em um formato legível para máquinas. Hoje já são 110 mil datasets."
3) Precisamos de pessoas interessadas em produzir ferramentas cidadãs. Se já não bastasse a falta de empreendedores na web brasileira, a situação é agravada pela descrença em causas públicas. Uns acham o setor público podre demais, outros não acreditam que podem sobreviver fazendo o bem pra sociedade. Seja por qual motivo da descrença, o governo tem que conquistar o interesse dessa nova geração de inovadores. Precisamos de incentivos – sejam eles abatimentos nos impostos, prêmios em dinheiro ou simplesmente oportunidades de ganhar visibilidade para que mais pessoas tenham como objetivo ajudar a sociedade através da internet. O que estão fazendo nos Estados Unidos é premiar melhores iniciativas, com prêmios como o Apps for America e o Apps for Democracy. Os norte-americanos têm como tradição acreditar que as premiações podem gerar um valor muito maior do que o total distribuído. Mas se você é daqueles que só acredita vendo (preferencialmente vendo números), o caso do Apps for Democracy é exemplar. Em apenas 30 dias e oferecendo um prêmio de só 50 mil dólares, o desafio gerou 47 aplicativos, cujo valor total de mercado estimado é de US$2,3 milhões. Investir 50 mil para ganhar 2,3 milhões – não é um bom negócio? A premiação é uma forma de estimular o empreendedorismo e reconhecer colaborações para o bem público (conquistas intelectuais importantes para a nossa evolução). Que tal um Prêmio Brasileiro de Inovação Pública Online?
Ter o governo como plataforma significa criar um ambiente para o exercício da webcidadania. Só assim teremos massa crítica para que a sociedade use a internet para resolver nossos problemas. Não será apenas uma iniciativa que irá transformar o Brasil em uma nação digital. Mas é preciso ter um compromisso com a idealização e realização de soluções. É preciso começar.
Texto e fotos de Helder Araujo. Co-fundador da WebCitizen.
4 de setembro de 2009
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Gov 2.0 Summit
Tim O'Reilly
tradução
Já iniciamos a cobertura do Gov 2.0 Summit antes mesmo do evento começar: acabamos de traduzir para o português esse vídeo de Tim O’Reilly compartilhando sua idéia de que governos devem usar a internet para se tornarem plataformas. Ele é um dos organizadores do Gov Summit 2.0 e fundador da O’Reilly Media. A visão dele é inspiradora, por isso compartilhamos aqui. Se você também gostar, faça o mesmo: comente e compartilhe.
1 de setembro de 2009
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Gov 2.0 Summit
De 8 a 10 de setembro a WebCitizen vai estar em Washington D.C. para acompanhar uma das mais importantes conferências de eGov do mundo: o Gov 2.0 Summit. O evento vai reunir profissionais influentes do setor público e tecnológico – compartilhando suas opiniões sobre o futuro dos governos e discutindo como a participação, a colaboração e a transparência da internet podem ajudar nações a evoluir. Tim O’Reilly, Adriel Hampton, Hal Varian, Peter Corbett e vários outros palestrantes já estão confirmados. Saiba mais sobre o evento pelo site: http://www.gov2summit.com
Você vai poder acompanhar o Gov 2.0 Summit pelo nosso blog ou seguindo @webcitizen_. Vamos compartilhar nossa experiência em tempo real, através de informações, vídeos e idéias.
Eles querem mudar o mundo. Nós também.