Aproximando cidadãos
12 de dezembro de 2009
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Cop-15
Entenda porque a conferência climática na Dinamarca é tão importante para o futuro da humanidade

Bicicletas disponibilizadas gratuitamente para os participantes da Cop-15 experimentarem o meio de transporte símbolo da capital dinamarquesa
Desde a última segunda-feira, 07, representantes de 192 nações estão reunidos em Copenhague, num frio de rachar, tentando impedir que a temperatura do planeta aumente 2 graus. É que, segundo previsões do IPCC, órgão ligado à ONU que reúne mais de mil cientistas de todo o mundo, se, até 2100, nosso planeta esquentar mais que 2 graus em relação à era pré-industrial o mundo estará fadado ao fracasso: mais secas onde já é seco, chuvas torrenciais e suas temíveis consequencias, falta de comida, extinção de espécies e submersão de cidades e até países inteiros devido ao derretimento de gelo e aumento do nível do mar.
A grande expectativa em torno da 15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que vai até o dia 18 na capital dinamarquesa, se deve primeiramente a um fato: há dois anos, acordou-se que nessa conferência seria decidido o que fazer após 2012, quando termina a primeira fase do Protocolo de Quioto, documento que previa redução obrigatória de emissões de gases de efeito estufa por países desenvolvidos (saiba mais em “Protocolo de Quioto”, adiante nesse post). Acontece que o protocolo foi escrito em 1997 e ratificado em 2005. E, de lá pra cá, a coisa apertou – talvez esse seja o fato que mais leva essa Cop ser tão diferente das outras.
Em 2007, o IPCC publicou seu quarto e mais amedrontador relatório, com um dado no mínimo instigante: para que a temperatura global não aumente mais do que 2 graus Celsius, a concentração de CO2 na atmosfera deve ser no máximo de 450 ppm (partes por milhão). Para isso, a emissão geral de CO2 nesse século deve ficar em 18 gigatoneladas por ano. Acontece que, a média atual ultrapassa as 40 gigatoneladas/ano. Sendo assim, ainda que os países ricos zerassem agora mesmo suas emissões (ou seja, se extinguissem sua indústria, parassem de plantar, de criar animais, de gerar energia elétrica, enfim, deletassem as atividades humanas da face de seus territórios), veríamos a temperatura global crescer mais do que o recomendado. Portanto, os países em desenvolvimento também precisariam contribuir. Mas com quanto? De forma voluntária ou obrigatória? Esse é um dos eixos centrais das negociações que ocorrem em Copenhague e que podem levar a diferentes caminhos, que passam pela alteração ou até anulação do Protocolo de Quioto e a construção de um novo documento, que congregue metas mais agressivas e a participação de mais países.
Quem dá mais
Veja as metas de redução de emissões de gases do efeito estufa anunciadas antes da Cop-15 por diferentes países. Repare que as métricas não são as mesmas, o que só confunde. Pelo menos uma coisa é comum em todos os casos: o deadline, 2020.

*A meta da China, na verdade, é um engodo. Reduzir entre 40% e 45% a intensidade de carbono por unidade de PIB em relação a 2005, sendo que a economia deles só cresce, no fim das contas significa: “prometemos dobrar nossas emissões até 2020”. Acompanhe aqui essa conta.
** Na sexta-feira, 11, a União Europeia anunciou um aumento de sua meta de redução de 20% para 30%.
***O equivalente a uma redução de apenas 4% em relação ao nível de emissão de 1990.

Cop o que?
Foi no início dos anos 1990 que os líderes mundiais se atentaram para o fato de que os gases de efeito estufa (como o CO2 e o metano) emitidos por atividades humanas – como a indústria, a geração de energia e o desmatamento – estavam causando o aquecimento da terra. Foi ainda lá naquela época que se decidiu criar um órgão mundial para domar a situação. Nascia assim a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que foi assinada pelos primeiros países, também chamados de partes, veja só, na Eco-92, no Rio de Janeiro.
O texto da convenção prevê todos os princípios que norteiam as negociações internacionais em torno do aquecimento global e estipula que, a cada ano, os países signatários se reúnam para conferir o que vem sendo feito (e levantar novas sugestões para colocar a convenção em prática). Daí, para conferir a convenção (rá!) surgem as conferências. No jargão, são chamadas de Conferência das Partes, as Cops. O encontro que está acontecendo agora na capital da Dinamarca é sua 15ª edição.
Protocolo de Quioto
Para quem não se lembra, o Protocolo de Quioto surgiu em 1997 e foi ratificado em 2005, com assinatura de diversas nações do mundo, incluindo o Brasil e excluindo (com grande polêmica) os Estados Unidos, maior poluidor per capta do planeta. O documento previa um compromisso por parte de 37 países desenvolvidos de reduzir suas emissões de gases do efeito estufa em 5% em relação aos níveis de 1990. Baseado no princípio de responsabilidades comuns, porém diferenciadas – que determina que os países que historicamente mais emitiram, ou seja, os industrializados, devem pagar a maior conta – os países em desenvolvimento não tiveram uma cota obrigatória de redução.