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A Webcitizen é uma empresa inovadora que propõe estimular o engajamento cívico e aproximar os cidadãos entre si, de seus governos e da iniciativa privada. Temos como foco o emprego de tecnologias digitais para a criação de canais de participação, trazendo mais abertura, transparência e democracia para a administração pública e privada, promovendo um diálogo colaborativo, um senso de comunidade acessível e significativo, e em uma última análise, ajudando a criar um mundo melhor.

Aproximando cidadãos

25 de janeiro de 2011

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O que o Brasil ganhou com as campanhas eleitorais pela internet?

O debate sobre eleições na internet movimentou o penúltimo dia da Campus Party Brasil 2011 que uniu os estrategistas de internet das três principais campanhas presidenciais das últimas eleições e Fernando Barreto, co-fundador da Webcitizen que coordena projetos de webcidadania.

Os convidados falaram sobre os desafios de fazer, pela primeira vez, uma campanha na internet após as mudanças na legislação eleitoral, e contaram um pouco sobre suas estratégias, resultados obtidos e problemas. Já no começo do debate Fernando Barreto defendeu a importância de resgatar a credibilidade da política no Brasil e disse que a forma de fazer isso é discutir sobre política não só no período de eleições.

De modo geral, na avaliação dos convidados, as campanhas eleitorais na internet foram positivas e influenciaram as decisões nas urnas. Fernando Barreto foi mais cauteloso quanto ao real impacto positivo da internet na eleição. Para ele, as campanhas não conseguiram envolver o cidadão não politizado nos debates dos principais temas de interesse da sociedade.

“Percebi que houve nesta campanha um engajamento muito forte da militância. Pra mim a mobilização do eleitor não politizado foi uma decepção em termos de internet. Eu acho que a gente poderia fazer mais. Eu acho que só vamos conseguir fazer isso quando os candidatos perceberem que é importante”.

campusparty

Fernando Barreto, Marcelo Branco, Caio Túlio e Soninha Francine

Os temas mais debatidos foram as técnicas de monitoramento utilizadas; o envolvimento de profissionais de mídias digitais estrangeiros; a força das militâncias; trolagem; parcialidade da imprensa; criação de hastags e disputas pelo Trend Topics do Twitter. Sobre as hastags, que mais bombaram nas campanhas Fernando Barreto alertou que estas não acrescentaram muito ao debate, “O problema é que as hastags que ficam no Trend Topics são coisas engraçadas ou denúncias. Não são discussões construtivas. Então a questão é como levar ao cidadão uma conversa mais construtiva”, questionou.

Caio Túlio, coordenador de internet da candidata Marina Silva disse que pela primeira vez o Brasil possui know-how para criar sistemas de arrecadação na internet; Soninha Francine contou que foi surpreendida pelos bons resultados obtidos com o cadastramento de usuários do site oficial do candidato José Serra; e Marcelo Branco argumentou que a candidata Dilma provavelmente não teria sido eleita somente com as campanhas em mídias tradicionais.

Ao encerrar sua participação Fernando explicou que a internet não consegue “maquiar” as coisas da mesma forma que a massmídia conseguia tempos atrás, pois a informação corre muito rápido e desconstrói as possíveis “blindagens” da imprensa tradicional. “Se o candidato quiser fazer uma campanha de internet bem feita ele terá que se aproximar do cidadão. Para se aproximar do cidadão ele terá que assumir que é ser humano, que erra. Será preciso ter coerência para assumir seus erros” alerta Barreto.

Após o término do debate Soninha Francine, Marcelo Branco e Caio Túlio responderam a uma mesma pergunta: “Durante a campanha eleitoral 2010, qual foi o principal tema de relevância nacional discutido na internet pelos candidatos e eleitores?”

Confira as repostas no vídeo abaixo:


Vídeo do debate “Eleições na web” na Campus Party 2011

Por Dani Larama

Fernando Barreto participa de debate na Campus Party

Entre os dias 17 e 21 de janeiro a cidade de São Paulo recebeu, pela quarta vez, aproximadamente 80 mil pessoas para Campus Party Brasil 2011, o maior evento de tecnologia do país. A convite de Edney Souza (blog InterNey) um dos organizadores deste mega evento, Fernando Barreto, sócio-fundador da Webcitizen, participou de dois debates com temas centrais diferentes, mas com o enfoque no papel da internet na sociedade atual. Essa é a segunda vez que Fernando participa da Campus Party, em 2010 ele foi convidado para apresentar o aplicativo Votenaweb.

O tema do primeiro painel era “A nova voz do povo”, que mostrou o impacto das redes sociais na cobertura das ações policiais nas favelas do Rio de Janeiro em novembro passado. Os convidados que, juntamente com Fernando Barreto, compuseram a mesa foram o assessor de imprensa Dirceu Viana representando o governo, o repórter Fábio Gusmão e o jovem Rene Silva, morador do Complexo do Alemão, que fez uma cobertura inédita do conflito via Twitter pelo jornal Voz da Comunidade.

Os palestrantes falaram sobre a credibilidade da informação produzida pelos cidadãos nas redes sociais; a dificuldade de separar o que é verdade e o que é boato na internet; o imediatismo da rede e seu poder disseminador viral.

Foto Flickr - Cristiano Sant Anna/indicefoto.com

Foto Flickr - Cristiano Sant Anna

Fábio Gusmão falou sobre o trabalho de apuração que, mesmo com toda tecnologia existente, foi feito nos moldes do jornalismo tradicional; e como canais de denúncias em sites e blogues funcionaram como um serviço ao público e contribuíram com o trabalho da imprensa. Além disso, o repórter citou alguns casos que as redes sociais pautaram a mídia tradicional.

Dirceu Viana falou sobre a dificuldade de administrar o imediatismo da internet e a cautela em fornecer informações oficiais corretas. Ele contou que a grande preocupação do governo naquele momento era não dar informações erradas para não agravar o problema e causar pânico na população, mesmo que o trabalho de apuração da informação demorasse mais tempo que a velocidade com que as coisas circulam na web.

Fernando Barreto destacou que durante os conflitos no Rio de Janeiro, ficou evidente uma quebra da hierarquia da informação, na qual os cidadãos foram produtores de informação independentes dos veículos de imprensa. A comunicação estava horizontalizada. Ele defendeu que o momento é de aproveitar o potencial da internet para promover uma maior participação cidadã.

Rene Silva, que participou da Campus Party pela primeira vez, contou como foi se transformar, de uma hora pra outra, em fonte de informação para o Brasil todo, incluindo celebridades, repórteres e polícia. Para quem só conhece o Rene pelo Twitter, veja abaixo o depoimento que ele gravou após o debate.

Por Dani Larama

Entretenimento, tecnologia e educação

A Campus Party Brasil 2011, o maior evento de tecnologia do Brasil, abordou a questão da educação informal e convidou Túlio Soria, desenvolvedor do game educativo City Rain, para contar como é possível expandir a educação além dos limites da escola.

O game City Rain é uma valiosa ferramenta de cunho pedagógico educativo e um exemplo bem sucedido sobre como aliar entretenimento e educação. Com este game, a equipe de Túlio Soria ganhou a Copa do Mundo da Computação, dentre mais de 12 mil projetos de 61 países.

O City Rain é uma combinação entre um simulador de construção de cidades e um jogo de encaixa blocos. O objetivo é fazer o melhor planejamento urbanístico e cuidar da natureza levando em consideração a qualidade de vida das pessoas. O jogo exige dos usuários raciocínio rápido e noções básicas de urbanismo e sustentabilidade.

A cidade virtual conta com serviços públicos como hospitais, escolas, corpo de bombeiros, segurança, coleta seletiva de lixo, reciclagem, estações de tratamento de água, usinas de geração de energia, além de parques, casas e prédios.

cityrain

No Brasil alguns educadores já perceberam que, se usados corretamente, os jogos eletrônicos podem ser aliados da aprendizagem, por isso, os inventores do City Rain desenvolveram uma versão para as escolas. Atualmente 20 escolas públicas e privadas disponibilizam aos estudantes esta nova versão como um complemento ao ensino. Este número poderia ser bem maior, mas ainda há por parte dos professores, certo receio em como aplicar os jogos educativos, já que muitos ainda não compreendem bem o universo digital. No entanto, a tendência é que cada vez mais a tecnologia faça parte do universo escolar.

“É claro que os games nunca irão substituir o papel do professor, mas para os jovens, os games poderão servir como catalisadores do aprendizado, desde que utilizados sabiamente por um professor”, explica Túlio.

A Campus Party, com seus mais de oito mil campuseiros que passaram quatro dias conectados no que há de mais tecnológico no mundo, deixa claro que esta geração de jovens vão exigir instituições de ensino e professores antenados no universo digital e alinhados com a linguagem da internet.

Outros Games Educativos
A Nobel Foundation desenvolveu alguns games educativos interessantes baseados nos projetos dos grandes vencedores do prêmio mundial. Um destes games educativos é o The Peace Doves (Pombos da paz) que é sobre desarmamento de armas nucleares e exige dos jogadores conhecimentos em geografia, história e conhecimento gerais. Outro exemplo é o Prisoners of war (Prisioneiros de guerra). A missão do jogador é gerir um campo de prisioneiros de guerra sem violar os direitos humanos. O jogador recebe uma avaliação no final e pode acabar como um “campeão humanitário” ou um “Sádico Suíno”.

Por Dani Larama

20 de janeiro de 2011

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Menino tímido

Quem viu aquele menino tímido sentado num canto do hotel onde se realizava o TEDxAmazônia não imaginava que ele fosse quem é.

Os primeiros a reconhecê-lo foram dois americanos da sua geração, que estavam na audiência. “Não acredito… Foi você que fez aqueles clips do Arcade Fire e do Radiohead?”, perguntou um deles. “Os caras piraram nele, fizeram até reverências, e ele todo tímido, como se não soubesse que tinha fãs”, diz Nina
Weingrill, da equipe de curadoria do TED, que viu a cena.

Aaron Koblin não é famoso só por causa de sua participação no mundo pop. O establishment da arte o adora – ele tem obras no MoMA de Nova York e no Centro Georges Pompidou, de Paris. O mundo da ciência o reconhece – ele ganhou um prêmio da Fundação Nacional de Ciência dos EUA em 2006, pelo seu trabalho com visualização de dados. A indústria tecnológica também é fã – Aaron é chefe de tecnologia do Creative Lab do Google. Na imprensa, ele é figurinha carimbada – entrou na lista dos “Best and Brightest” da tradicional revista
Esquire, e na dos 50 mais criativos segundo a moderna revista Creativity.

Aaron tem 28 anos e trabalha na intersecção da arte com a tecnologia com a ciência com a economia. Seu trabalho é transformar montanhas de dados digitais em obras de arte. E, no caminho, ele está mudando o mundo.

Trazê-lo para a Amazônia até que foi fácil. Ele foi um dos convidados que respondeu mais rápido ao nosso convite. Aproveitou para fazer trilha na floresta, e depois estendeu a viagem para o Rio de Janeiro, numa escapada com a namorada. “Foi uma grande experiência conhecer a floresta tropical enquanto encontrava gente incrível.”

No dia 1 de março de 2011, Aaron vai subir de novo ao palco do TED. Dessa vez, ele vai a Long Beach, falar no TED original.

11 de janeiro de 2011

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Deise e as tempestades

Ao final da TED Talk de Deise Nishimura, a última do primeiro bloco do TEDxAmazônia, uma tempestade caiu de repente sobre a floresta, ajudando o público a disfarçar as lágrimas. Foi um dos momentos mais intensos, emocionantes e memoráveis da conferência. Para Deise, aquilo era só o começo de um mês inesquecível.

No dia seguinte ao final do TED, ela pegou um barco em Manaus e se mandou para as profundezas da floresta. Iria voltar pela primeira vez a Mamirauá, a reserva florestal onde ela trabalhava como pesquisadora até o dia 30 de dezembro de 2009, quando um jacaré faminto pulou sobre ela arrancou-lhe uma perna, deixando-a à beira da morte. Apenas 10 meses depois do ataque, ela estava voltando ao lugar que ela mais ama no mundo. “Para fechar a minha chegada com chave de ouro, caiu um toró absurdo de lavar a alma. Embrulhei minha perna com tudo o que era roupa que tinha na mochila”. A prótese não pode se molhar.

O ano mais difícil de sua vida, no qual ela enfrentou várias cirurgias para se livrar de uma dor excruciante que não ia embora nunca e teve que reaprender a andar, terminou muito bem. “Dirigi barco, fiz uma trilhazinha para ver captura de onça (minha primeira onça selvagem!), joguei vôlei, subi um barranco enorme para pegar sinal de celular, fui ver jacarés, dormi na rede, dancei forró num barco em movimento, cozinhei caldeirada de tucunaré, comi muito peixe e farinha amarela.”

Além disso, ela reencontrou os animais que pesquisou ao longo dos nove meses que viveu lá: os botos cor de rosa. Novembro é uma época especial para os biólogos que trabalham com botos. Depois de meses vendo apenas os dorsos dos bichos, é quando ocorre a “captura”, o evento anual no qual os botos são “pescados” e estudados (e depois soltos de novo). Deise participou disso: estava no barco, sem a prótese (que não pode molhar), enquanto 88 botos eram trazidos a bordo.

“Aliás, um buraquinho da minha perna pareceu um lugar perfeito para vespas fazerem ninho. Quase todo dia tinha que passar um cotonete para tirar barro e as larvinhas. É mole? Levei muitas, mas muitas picadas. Minha perna e braços estão cobertos de perebas. Uma maravilha!”.  É assim o paraíso de Deise.

Deise ficou feliz com sua participação no TED. “O TEDxAmazônia foi tudo de bom para mim. Conhecer tanta gente que acredita e faz diferença no mundo é maravilhoso. Sempre achei que eu era meio idealista, que queria mudar o mundo e as pessoas. Mas lá percebi que posso e devo idealizar muito mais. Que sonhos podem mesmo se tornar realidade. E que de fato, não estou fazendo nem um terço do que os verdadeiros idealistas fazem.”

Ela faz uma crítica à conferência: “como estávamos no TEDxAmazonia, achei  que poderíamos passar mais tempo com a natureza, experimentando a real Amazônia.” Nós concordamos. No próximo TEDxAmazônia, vai ter mais Amazônia.

Por Denis Burgierman

11 de janeiro de 2011

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Helder Araújo é destaque da revista Época São Paulo

A edição especial da Revista Època São Paulo, de janeiro, traz uma lista de pessoas “que fizeram barulho em 2010 e que tem tudo para brilhar ainda mais” e apresenta um perfil de Helder Araújo, sócio-fundador da Webcitizen, como empresário de destaque. A revista destacou o trabalho de Helder à frente do TEDx no Brasil e de outros projetos da empresa com foco no webcivismo.

Leia abaixo o perfil de Helder Araújo na revista Época São Paulo:

capa helder

Divulgar idéias e compartilhar experiências são os motes do TEDx São Paulo, versão paulistana do TED, influente ciclo de palestras criado há 25 anos na Califórnia. O evento, cujo nome é formado pelas iniciais de tecnologia, entretenimento e design, chegou ao Brasil pelas mãos de Helder Araújo. Mineiro de Divinópolis, ele adotou São Paulo há três anos e caiu no choro após o encerramento da primeira edição, em novembro de 2009. Desde então outros 18 eventos foram realizados, inclusive um na Amazônia, sempre com o mesmo formato. Em falas de 15 minutos ilustres e desconhecidos apresentam ideias inspiradoras. “Os bons exemplos não são escassos, mas as oportunidades de divulgá-los sim”, diz o empreendedor.

Disposto a mudar o mundo (ou ao menos dar a sua contribuição), Araújo também é o homem por trás da Webcitizen, plataforma digital na qual usa comunicação, design, antropologia e pesquisa para estimular o civismo. O mesmo princípio alimenta a manutenção de três sites, o Votenaweb, que acompanha a tramitação de leis no Congresso, o Eu Lembro, com os perfis de políticos, e o !sso Não É Normal (assim mesmo com ponto de exclamação no lugar da letra i), sobre mudanças climáticas. Em julho, Araújo mergulhou em uma nova empreitada, a rede social de notícias Busk. Todas as iniciativas têm um ponto em comum: a educação informal. “Quanto mais trocamos informações, mais aprendemos”, diz.
Matéria feita por Rafael Barifouse

4 de janeiro de 2011

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TED sem “x”

No ano passado, o TED americano, contrariando tudo o que os manuais de marketing dizem, abriu sua marca e passou a permitir que qualquer grupo de pessoas do planeta, desde que tenham seu projeto aprovado, organize um TEDx em sua cidade (o “x” quer dizer “independentemente organizado”). Eles achavam que algumas dezenas de TEDx aconteceriam por ano. Pois, de lá para cá, já ocorreram mais de 1.000.

Lara Stein trabalha no escritório de Nova York do TED e sua responsabilidade lá é coordenar o programa TEDx. É uma tarefa meio incomum. Só neste mês de dezembro, haverá conferências acontecendo em Abidjan, na Costa do Marfim, Perm, na Rússia, Daegu, na Coréia do Sul, Addis Ababa, na Etiópia, e Yangon, no Myanmar – isso para não mencionar Estocolmo, Washington e Pequim.

Com tanta coisa acontecendo, Lara geralmente não tem tempo de estar presente nos TEDx. Ela aceitou vir à Amazônia porque garantimos para ela que algo muito especial aconteceria lá.

Ao final da conferência, Lara nos disse com toda seriedade que somos completamente malucos. Na semana seguinte, um de nós fez uma visita ao escritório novaiorquino do TED e se encontrou com Chris Anderson, o sujeito que fez o TED ser o TED. Chris, pelo jeito, concordou com o diagnóstico psiquiátrico de Lara: “via as fotos. Foi incrível. Foi irreal.”

Nesta palestra curta, Lara conta o que é o TEDx e para onde ele está indo, e põe em contexto nossa maluquice amazônica.

Por Denis Burgierman

21 de dezembro de 2010

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Um fotógrafo que não liga para fotografia

O fotógrafo Alexandre Sequeira costuma dizer que não liga muito para fotografia. Ele gosta mesmo é de gente – a câmera é só um instrumento para se aproximar das pessoas. Seu trabalho de fotógrafo é mesmo bem atípico.

Alexandre não vive em função da imagem perfeita: as imagens surgem a partir do que seus projetos provocam. O menos importante é se são perfeitas – o mais importante é que sejam verdadeiras. Alexandre mergulha num lugar, passa pelo menos um ano vivendo uma vida diferente. As fotos são conseqüência. Ele nunca sabe onde o trabalho vai chegar.

Na sua palestra do TEDxAmazônia, ele contou a linda história de um desses projetos: os dois anos que passou no vilarejo amazônico de Nazaré do Mocajuba. O que ele não contou é que esse é apenas um entre tantos projetos que ele realizou.

Em outra ocasião, Alexandre entrou nas vidas de um menino e uma menina, ele ribeirinho de uma comunidade pacata perto de Belém, ela habitante de uma periferia pobre da cidade, também à beira do rio. Os dois meninos conheceram a vida um do outro pela descoberta da fotografia. Outro projeto de Alexandre foi numa cidadezinha mineira. Ele invadiu a vida de uma família e mergulhou nos medos e sonhos dos personagens que escolheu.

Cada um desses projetos é mais do que um compromisso de trabalho. Alexandre efetivamente passa a fazer parte de uma comunidade, faz amigos, entra na vida das pessoas, muda a vida do lugar. Cada projeto desses é feito em parceria com alguém da comunidade, que ganha status de co-autor. Os projetos geram renda, além de mudar destinos. Cada um desses projetos meio que não tem fim.

Alexandre fica para sempre conectado aos lugares. Por exemplo, passa todo Natal em Nazaré do Mocajuba, onde distribui presentes.

Ele é um fotógrafo reconhecido. Sua obra sobre Nazaré acabou de ser adquirida pela coleção Pirelli-Masp, uma espécie de cânone da fotografia brasileira contemporânea brasileira. Seus trabalhos são disputados por colecionadores, embora ele no geral recuse-se a vender aquilo que ele julga pertencer às comunidades. Seus projetos viajam o mundo passeando por museus e centros de cultura.

Mas falar no TEDx foi diferente das coisas com as quais ele está acostumado. “Acho que essa experiência me ajudou a entender quem eu sou, o que eu faço. Está ficando claro para mim que eu sou, mais do que um fotógrafo, um contador de histórias”, ele disse. Um belo contador de histórias.

por Denis Russo Burgierman

14 de dezembro de 2010

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100 brasileiros mais influentes de 2010

Pelo quarto ano consecutivo a Revista Época produziu uma edição especial que traz  uma lista com 100 brasileiros que se destacaram no ano pelo exercício do poder, pela construção de um projeto, pela inspiração, pelo talento, e convida personalidades para escrever o perfil de cada um. Este ano, Fernando Barreto, cofundador da Webcitizen escreveu o perfil da designer gráfica, Fernanda Viégas, especialista em visualização de dados eleita na categoria Construtores.

Confira a lista das 100 brasileiros mais influentes de 2010 pela Revista Época e o perfil de Fernanda Viégas escrito por Fernando Barreto:

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Fernanda Viégas – Uma das comandantes da revolução mundial em curso no design e na visualização de dados

Boa parte das injustiças e dos problemas do planeta se deve, ao menos em parte, a “assimetrias de informação”: alguns sabem mais que outros sobre determinado assunto. Ao oferecer uma massa gigantesca de informação ao acesso público, a internet promove uma revolução democrática. Mas quem consegue processar tanta informação? Do que adianta ter milhares de dados ao alcance dos dedos se nenhum ser humano é capaz de lê-los todos? É por isso que surge uma nova ciência – ou seria arte? – que vem conquistando importância em todo mundo: a visualização de dados. Trata-se de transformar um monte de informação em uma imagem bonita e fácil de ler. O centro desta nova ciência são os Estados Unidos, pátria dos mais geniais designers de informação do mundo. Um dos principais entre eles é uma brasileira, a grande Fernanda Viégas, eleita pela revista americana Fast Company em 2010 como uma das mulheres mais influentes no mundo da tecnologia. Fernanda é criadora do Many Eyes, um site da IBM que oferece ferramentas abertas e gratuitas para criar gráficos. Hoje, como co-líder do Big Picture, o laboratório do Google de visualização de dados, ela está bem no centro da ação. Em nosso site Votenaweb, usamos essas técnicas de visualização de dados para ajudar o brasileiro a entender o Congresso Nacional. Na conferência TEDx São Paulo, Fernanda expôs como a visualização de dados pode mudar o mundo. Há uma revolução em curso – e Fernanda é uma das comandantes. Fico feliz por defender sua bandeira.

Fernando Barreto
Co-fundador da empresa WebCitizen.

Palestra de Fernanda Viégas no TEDx São Paulo em novembro de 2009

8 de dezembro de 2010

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Brincadeira séria

Quando aconteceu o TEDxSão Paulo, em 2009, algumas pessoas do movimento Oasis estavam na plateia. O Oasis é cria do pessoal do Instituto Elos, um grupo majoritariamente de arquitetos que desenvolveu em Santos uma metodologia de colaboração e transformação do mundo que está fazendo um baita sucesso no Brasil e em outras terras. Como todos nós no TED, inclusive os organizadores, eles ficaram impressionados – até mesmo surpresos – com a energia de lá. Com aquele ambiente otimista, de que tudo é possível, de que a vida pode fazer sentido e ser divertida ao mesmo tempo, de que transformar o mundo está ao nosso alcance. Mas, no dia seguinte, uma segunda-feira poluída de São Paulo, eles curtiram uma ressaca. Saíram da experiência com uma sensação: a de que precisávamos encontrar um jeito de canalizar a energia do TED para fazer projetos reais acontecerem no mundo real.

Retomamos essa conversa em 2010, quando convidamos o grande Edgard Gouveia Junior, um dos criadores do Oasis, para palestrar no TEDxAmazônia. Ele estava encafifado com isso. Falar no TED é demais, óbvio. Mas e depois? E o que faremos com isso quando o encontro acabar? Quando chegou a hora de sua fala, em Manaus, ele ainda não tinha respostas para essas perguntas.

Aí um outro palestrante subiu ao palco: Felipe Milanez. Felipe é um grande jornalista, imensamente apaixonado por aquilo que ele considera a história mais épica e relevante do Brasil contemporâneo: o sangrento extermínio de
florestas, espécies, pessoas e culturas que está se dando neste exato momento no chamado “arco do desmatamento”, a fronteira econômica do Brasil.

Por um lado, Edgard e Felipe não poderiam ser mais diferentes. Edgard é um otimista, um brincalhão, um apaixonado por jogos e diversão. Felipe é um cético, um investigador sério e comprometido, calejado por anos de tragédias e por uma percepção sombria de que no fundo ninguém se importa com o problema. Ver os dois subindo juntos ao palco foi, para nós da organização, a confirmação de que vale a pena o esforço de juntar gente diferente que foi o mantra que guiou nosso trabalho. Nasceu lá uma colaboração improvável.

Para inaugurar a presença online do TEDxAmazônia, estamos colocando no ar esses três TED Talks: o de Edgard, o de Felipe e aquele inventado de última hora por Edgard, Felipe e um monte de outras pessoas lá mesmo no TED. Nessa terceira apresentação, os dois lançaram um jogo cujo objetivo é salvar da extinção uma cultura, sem deixar de se divertir no processo.

Se você está interessado em jogar o Salve Kawahiva, o melhor caminho é começar pela internet: pelas três TED Talks aqui no site do TEDxAmazônia, pela comunidade do jogo no Facebook ou pelo site criado lá mesmo em Manaus para hospedá-lo salvekawahiva. O jogo está bombando, com o André Abujamra compondo trilha sonora, um monte de gente articulando no mundo inteiro (do New York Times à Funai) e a imprensa interessada.

A partir de agora, a cada semana colocaremos no ar uma palestra do TEDxAmazônia, acompanhada de alguma informação de bastidor aqui neste blog. Acompanhe a conversa: ela vai durar um ano inteiro.

por Denis Russo Burgierman

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Estão dizendo por aí que somos otimistas políticos. confirma:

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