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Aproximando cidadãos

13 de dezembro de 2009

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O que rolou na primeira semana de Cop-15

mesa Cop 15

Tradicionalmente nas Cops é assim: na primeira semana, vão os negociadores e articuladores (conheça aqui quem são os do Brasil). Há vários debates e discussões que devem resultar em documentos para serem trabalhados por ministros e chefes de estado, que chegam na última semana (o Lula, por exemplo, vai falar no dia 17. Obama estará lá no dia 18), quando começam as chamadas negociações de alto nível. Mas como a Cop-15 é atípica, a primeira semana também deu o que falar. Segue um breve resumo dos assuntos mais quentes do que rolou na primeira semana

O não documento da Dinamarca
A primeira bomba caiu em Copenhague na terça-feira quando o jornal britânico The Guardian publicou o texto de um documento não oficial atribuído ao governo da Dinamarca, com apoio do Reino Unido e dos EUA, que delineava uma proposta de acordo antes mesmo das negociações começarem. O texto sugeria forçar os países em desenvolvimento a assumirem metas compulsórias de redução das emissões, não permitindo que eles emitissem mais que 1,44 toneladas de carbono per capta até 2050, enquanto os países ricos poderiam emitir 2,67 toneladas, ou seja, quase o dobro. O texto causou furor entre os países emergentes. A China reagiu se articulando com países do G77 para escrever outro documento. (leia aqui uma boa análise dessa confusão).

Um arquipélago no Pacífico pára a Cop
No Bella Center, espaço onde acontece a conferência, também houve protestos. Representantes da sociedade civil africana saíram pelos corredores gritando que “2 graus era suicídio”. Eles querem que se chegue a um consenso de que a temperatura do planeta pode aumentar no máximo 1 grau Celsius em relação aos níveis pré-industriais até 2100. O arquipélago de Tuvalu é outro que sofre as conseqüências do aquecimento global e corre o risco de ser banido do mapa. Na terça-feira, o país pediu a suspensão temporária das negociações devido a um impasse: a falta de consenso a respeito de seu pedido de criação de um grupo para discutir sua proposta, apresentada há seis meses, para a nova fase do Protocolo de Quioto. Houve manifestações nos corredores de apoio a Tuvalu. Na sexta-feira, a Aliança das Pequenas Ilhas do Sul (AOSIS, na sigla em inglês) apresentou a tal proposta, que culminaria com a criação de um Protocolo de Copenhague, com inclusão dos EUA nas metas de redução.

Estados Unidos marcam posição
Ainda no início da semana, finalmente, os EUA, via sua agência ambiental, a EPA, assumiram o que o mundo todo já sabia: os gases de efeito estufa emitidos pela atividade humana estão aquecendo o planeta. Foi um primeiro passo. Mas de meados para o final da semana, o principal negociador norte-americano, Todd Stern, deixou bem claro que seu país rechaça a ideia de responsabilidade histórica, pela qual os países que mais emitiram poluentes ao longo do tempo têm maior responsabilidade no aquecimento global. A alegação é que, até então, esses efeitos não eram conhecidos. O negociador também afirma que os EUA não aceitarão uma proposta que não inclua os países em desenvolvimento e que não dá para trabalhar com uma meta máxima de aumento de temperatura de 1,5 graus Celsius, proposta por alguns países. “Temos que misturar ciência com pragmatismo”, afirmou.

Primeiro texto-base para um acordo
Na sexta-feira pela manhã, saiu o primeiro documento preparatório para as negociações da semana que vem. Trata-se de um arquivo de sete páginas, cotado para ser base de um acordo, elaborado pelo grupo de Ações Cooperativas de Longo Prazo – mais conhecido por sua sigla em inglês: AWG-LCA -, que é vice-presidido pelo chefe das negociações brasileiras, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo. (Na Cop-15 há ainda outro grupo de trabalho, o AWG-PK, que cuida do Protocolo de Quioto). Exemplos do que o documento aponta: redução global de emissão de gases do efeito estufa de 50%, 85% ou 90% até 2050; redução de emissões de países desenvolvidos entre 25% e 40% em relação a 1990; para os países em desenvolvimento, desvio no crescimento das emissões entre 15% e 30% em relação ao que seria emitido em 2020 se nada fosse feito. O documento, que também levanta a possibilidade de se limitar a temperatura máxima da terra em 1,5 grau Celsius, não foi muito bem recebido pelos EUA e Japão, de acordo com reportagem do O Estado de São Paulo de ontem.

Up grade na meta da União Europeia

Ainda na sexta, a União Europeia anunciou o aumento de sua meta de corte de emissões, de 20% para 30% em relação aos níveis de 1990. Falou ainda em repasse de verba para os países em desenvolvimento: 7,2 bilhões de euros distribuídos nos próximos 3 anos. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, a verba representa 30% do total que se calcula necessário para o período.

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