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Aproximando cidadãos

16 de fevereiro de 2011

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O índio gringo

Quem teve a chance de conviver com Randy Borman ao longo do TEDxAmazônia ficou impressionado. Não apenas com o que ele disse, mas principalmente com sua presença serena, tranquila, sábia.

Randy é gringo – como atestam seu nome, seu bigode branco, sua pele clara, seu inglês perfeito, sua formação numa faculdade americana. Mas ele é índio também: da tribo dos cofan, da qual é chefe, após ter nascido e crescido na floresta equatoriana. Ele tem no olhar a sabedoria de alguém que enxerga duas culturas pelo lado de dentro.

Randy nasceu na tribo, filho de um casal de linguistas missionários americanos que traduziu a Bíblia para o cofan. Viu a decadência e a degradação ambiental e depois assistiu – e comandou – a recuperação. Hoje os cofan vão muito bem. Trabalham para o governo vigiando os parques nacionais e exploram sustentavelmente a mata. A população, que chegou a beirar a extinção, está em franco crescimento.

No meio do burburinho do TED, com toda aquela gente moderna desfiando conceitos complexos, Randy geralmente ficava calado num canto, observando. A quem se aproximava, ele comentava, com um sorriso: “quem diria que sou provavelmente o único aqui que sabe fazer curare”, se referindo ao poderoso veneno que se coloca na ponta das flechas.

Passar uns dias com Randy encheu muita gente de maravilhamento, pela constatação súbita de que vivemos num mundo onde a mesma pessoa que faz curare prepara apresentações em PowerPoint. Um mundo em que “branco”
e “índio” deixaram de ser categorias estanques, claramente distintas uma da outra. Um mundo em que finalmente seres humanos de origens diferentes estão aprendendo a se entender.

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