Aproximando cidadãos
11 de janeiro de 2011
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Amazônia
Deise Nishimura
TEDxAmazônia
Ao final da TED Talk de Deise Nishimura, a última do primeiro bloco do TEDxAmazônia, uma tempestade caiu de repente sobre a floresta, ajudando o público a disfarçar as lágrimas. Foi um dos momentos mais intensos, emocionantes e memoráveis da conferência. Para Deise, aquilo era só o começo de um mês inesquecível.
No dia seguinte ao final do TED, ela pegou um barco em Manaus e se mandou para as profundezas da floresta. Iria voltar pela primeira vez a Mamirauá, a reserva florestal onde ela trabalhava como pesquisadora até o dia 30 de dezembro de 2009, quando um jacaré faminto pulou sobre ela arrancou-lhe uma perna, deixando-a à beira da morte. Apenas 10 meses depois do ataque, ela estava voltando ao lugar que ela mais ama no mundo. “Para fechar a minha chegada com chave de ouro, caiu um toró absurdo de lavar a alma. Embrulhei minha perna com tudo o que era roupa que tinha na mochila”. A prótese não pode se molhar.
O ano mais difícil de sua vida, no qual ela enfrentou várias cirurgias para se livrar de uma dor excruciante que não ia embora nunca e teve que reaprender a andar, terminou muito bem. “Dirigi barco, fiz uma trilhazinha para ver captura de onça (minha primeira onça selvagem!), joguei vôlei, subi um barranco enorme para pegar sinal de celular, fui ver jacarés, dormi na rede, dancei forró num barco em movimento, cozinhei caldeirada de tucunaré, comi muito peixe e farinha amarela.”
Além disso, ela reencontrou os animais que pesquisou ao longo dos nove meses que viveu lá: os botos cor de rosa. Novembro é uma época especial para os biólogos que trabalham com botos. Depois de meses vendo apenas os dorsos dos bichos, é quando ocorre a “captura”, o evento anual no qual os botos são “pescados” e estudados (e depois soltos de novo). Deise participou disso: estava no barco, sem a prótese (que não pode molhar), enquanto 88 botos eram trazidos a bordo.
“Aliás, um buraquinho da minha perna pareceu um lugar perfeito para vespas fazerem ninho. Quase todo dia tinha que passar um cotonete para tirar barro e as larvinhas. É mole? Levei muitas, mas muitas picadas. Minha perna e braços estão cobertos de perebas. Uma maravilha!”. É assim o paraíso de Deise.
Deise ficou feliz com sua participação no TED. “O TEDxAmazônia foi tudo de bom para mim. Conhecer tanta gente que acredita e faz diferença no mundo é maravilhoso. Sempre achei que eu era meio idealista, que queria mudar o mundo e as pessoas. Mas lá percebi que posso e devo idealizar muito mais. Que sonhos podem mesmo se tornar realidade. E que de fato, não estou fazendo nem um terço do que os verdadeiros idealistas fazem.”
Ela faz uma crítica à conferência: “como estávamos no TEDxAmazonia, achei que poderíamos passar mais tempo com a natureza, experimentando a real Amazônia.” Nós concordamos. No próximo TEDxAmazônia, vai ter mais Amazônia.
Por Denis Burgierman