Aproximando cidadãos
20 de dezembro de 2009
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Cop-15
Copenhague termina com acordo frouxo, mas a sociedade civil não vai deixar por isso

Exposição fotográfica de Helena Christensen sobre os efeitos das mudanças climáticas no Peru chama atenção para o fato de que os paises pobres serão os mais afetados. As fotos estavam a mostra numa praça no centro de Copenhague, como parte da programacao cultural paralela a Cop-15.
À uma hora da manhã do dia 18 para 19, na saída do Bella Center, manifestantes ainda protestavam. Não era uma multidão, mas algumas dezenas de pessoas que resistiam ao frio de cinco graus negativos e ao contato dos pés com a neve derretida (que muitas vezes invade os sapatos), para exclamar: “Climate chame, go back and sign” (vergonha climática, voltem e assinem) para presidentes e primeiros-ministros – a maioria deles sequer estava ali mais. Depois de uma longa reunião entre os EUA e os países do Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China), que resultou no Acordo de Copenhague, o presidente Lula deixou o país levando junto os dois chefes da negociação brasileira, a ministra Dilma Roussef e o embaixador Luiz Alberto Figueiredo. Obama também foi embora.
O que fez com que os ativistas fossem até a porta do centro de convenções no início daquela madrugada foram as informações que vazavam pela internet sinalizando que Copenhague havia fracassado. O intento de se firmar um acordo justo e com força de lei para salvar o mundo foi, no mínimo, postergado. Os presidentes pegaram o avião para fora da Dinamarca após eliminar do texto as metas obrigatórias de redução de emissões de gases de efeito estufa, tanto para os países desenvolvidos quanto para os em desenvolvimento. Já estava rompido aí o que se acreditava ser o cerne de um acordo com resultados efetivos. Até o início da madrugada, uma frase ainda incluía uma meta global de 80% de redução de poluentes até 2050 – que também foi apagada. Uma das únicas questões que parecem ter gerado consenso foi o aumento da temperatura global, que não pode passar dos 2 graus Celsius segundo o texto – as tentativas, principalmente dos países insulares, de diminuir esse número para 1,5 graus não vingaram. O Acordo de Copenhague também fala em financiamento: 10 bilhões por ano até 2012, chegando a 100 bilhões em 2020 – um avanço, mas há detalhes sobre a fonte do dinheiro. Cita ainda o uso de mecanismos como o Redd +, para financiar a manutenção e conservação de florestas, que era um dos interesses do Brasil.
O fato do texto final ter sido decidido em uma reunião entre os EUA e o Basic desagradou muitas nações. Tuvalu, Venezuela, Bolívia, Cuba e Sudão foram algumas das que se colocaram contra o texto final. Como para ter validade o acordo precisa ter a aprovação de todos, foi preciso lançar mão de um mecanismo legal, a chamada “tomada de nota”, que faz com que o acordo tenha valor suficiente para funcionar, mas não seja obrigatório.
Esses debates ocorreram durante a madrugada, quando se formou um comitê com cerca de 30 representantes mundiais para finalizar o texto que os presidentes haviam deixado. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, foi falar pelo Brasil. Em um intervalo, apareceu no hall principal do Bella Center, onde foi cercado por jornalistas. Basicamente o que disse à maioria deles é que o acordo que se estava finalizando dentro da sala era insuficiente e que os Estados Unidos foram os maiores criadores de entrave.
O clima geral era de frustração. Afinal, havia pessoas ali que trabalharam intensamente por dois anos (desde a Cop-13, em Bali, quando se marcou para Copenhague a construção de um acordo climático) e, mais intensamente ainda, nessas duas últimas semanas. Pelo corredor se ouviam frases como “agora vou ter que arrumar outra coisa para fazer da vida”, “o Lula disse que passaria um anjo por aqui – só se foi o anjo da morte” ou “eu não quero ser parte de uma espécie em extinção”.
Mas também houve ponderações. O furor em torno da Cop-15 fez com que quase às vésperas do encontro diversas nações – incluindo Brasil, China, Índia e Estados Unidos – lançassem suas metas voluntárias de redução de emissões. Durante a conferência, a União Europeia também aumentou suas metas pré-anunciadas de 20% para 30% de redução de gases de efeito estufa até 2020, em relação a 1990. Todas essas promessas podem evoluir em uma reunião que se pretende marcar para meados de 2010 em Bonn, na Alemanha. E, quem sabe, tornarem-se metas com força de lei na Cop-16, marcada para dezembro do ano que vem na Cidade do México. Representantes de campanhas globais já avisam que a pressão da sociedade vai continuar (clique aqui para participar do abaixo assinado “Not Done Yet”, da Tck Tck Tck). Pelo menos na próxima Cop os ativistas poderão usar até biquini.