Aproximando cidadãos
Assim que o Antonio Donato Nobre aceitou nosso convite para falar no TEDxAmazônia, liguei para ele e agendei uma visita a sua sala no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em São José dos Campos. Cheguei às 11 da manhã, era um dia de sol e céu azul, bati na porta, fui recebido com sorrisos, sentei na cadeira à sua frente e ele começou a me contar as coisas que gostaria de falar no TED.
Saí de lá às 8 da noite. Mal falei. Escutei história fascinante atrás de história fascinante, o dia todo, até que a esposa de Antonio quase que literalmente arrancou-o de lá.
Antonio Nobre formou-se em agronomia, mas chamá-lo de “agrônomo” é uma simplificação sem tamanho. Ele prefere que o chamem de “investigador da verdade”. Ou simplesmente de “cientista”, assim, bem amplo. Os interesses dele vão muito além das plantas e seu crescimento. A partir das plantas, Antonio chegou às especulações sobre sua interação com a atmosfera e, consequentemente, a influência da vida sobre o clima. Ele se envolve em inúmeros projetos inovadores, transdisciplinares, às vezes até poéticos – por exemplo, ajudou o suíço Gerard Móss a bolar um projeto pelo qual ele viajou o Brasil inteiro com um aviãozinho coletando nuvens no céu.
Interesses tão amplos exigem de Antonio o domínio de um número imenso de áreas do saber. Numa só conversa, ele é capaz de pular do conhecimento indígena para os movimentos planetários e astronômicos, da concepção de ciência para a análise das coisas que estão erradas no mundo, das suas promissoras pesquisas com parceiros de outras áreas do saber e outros continentes para a fascinante história de como a onça ajuda a semear árvores.
Um assunto vai emendando no outro de maneira frenética e, de repente, anoitece.
Vale a pena escutá-lo:
Por Denis Burgierman